Uma isenta de jaça e elucidativa apreciação da construção da usina de Belo Monte é feita em artigo do eng. Cássio Borges (foto acima) que está abaixo transcrito sob o título "Belo Monte". Os aspectos de impacto ambiental, técnico e econômico-social são abordados. Trata-se de uma das maiores obras de construção civil em andamento na atualidade no Brasil que todos os brasileiros responsáveis devem conhecer.
Didymo Borges
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BELO MONTE: UM DEGRAU PARA O SALTO DO BRASIL NO O FUTURO
O impacto ambiental da usina de Itaipu
quando da formação do lago de 1500km2 , foi atenuado com uma
operação de salvamento de animais, tais como cobras, macacos,
lagartos, porcos-espinhos, sendo mais de 40 mil desapropriações
efetuadas.
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A construção da usina de Belo Monte no Pará já foi decidida e está em andamento ou seja, trata-se de decisão irrevogável. Pouco tem sido divulgado sobre os fundamentos que levaram o governo federal a levar adiante este gigantesco empreendimento que se constitui na terceira maior hidrelétrica do mundo. Claro está que a decisão que vai de encontro a ponderáveis opiniões contrárias à construção da usina, devia ter fortíssimas razões para ser levada adiante, independentemente da contrariedade de tanta gente qualificada, inclusive ponderadas vozes de outros países.
Então, cabe ao governo, para não dar conotação de arbitrariedade, esclarecer para a nação que a construção da usina de Belo Monte, que a decisão favorável à sua construção está embasada em motivação que foi devidamente sopesada, em motivação que foi cuidadosamente analisada e em consonância com os superiores interesses do povo brasileiro. Um argumento decisivo que se poderia apresentar é o de que esta usina dá a certeza de que a próxima geração de brasileiros estará suprida de energia limpa, ambientalmente sadia, logisticamente airosa e estrategicamente oportuna. O recente desastre da usina nuclear de Fukujima, no Japão, proporciona motivo para se dizer que esta usina do rio Xingu dá fôlego ao Brasil para adiar sine die o recurso às adicionais usinas nucleares, embora , com certeza, a tecnologia nuclear não possa ser de todo descartável para os brasileiros no futuro. Mas as usinas de Belo Monte, assim como as de Sto. Antonio e Jirau ( estas duas últimas em Rondônia, no rio Madeira), dispensam qualquer pressa do Brasil em incrementar sua matriz energética com usinas nucleares nestas próximas duas ou três décadas.
Um fato importante a minimizar o impacto ambiental da usina de Belo Monte é a área do espelho dágua da bacia de acumulação da usina que é tão somente de pouco mais de 500km2, ou seja, pouco mais que o dobro da área da cidade do Recife. Considerando-se a a imensidão da bacia amazônica, a área do lago de Belo Monte será tão somente um ponto no curso do rio Xingu. A tecnologia que minimiza o volume dágua acumulado pela barragem é devido as turbinas Francis que podem ser de eixo horizontal e eixo vertical.. As de eixo horizontal aproveitam a vazão da água do rio. As de eixo vertical são acionadas com a queda dágua proporcionada pela barragem ou pelo desnível no curso do rio ( como as cachoeiras ), ou por ambos os fatores. O projeto de Belo Monte, evidentemente, privilegiou a minimização do lago da barragem de tal forma a evitar, por exemplo , o deslocamento de populações na área do reservatório onde se encontra população indígena.
As três grandes usinas hidrelétricas ora em construção na Amazônia ( Jirau,. Sto. Antonio e Belo Monte ) marcam também a nova era de exploração, em grande escala, do potencial energético da bacia hidrográfica amazônica iniciada com a usina de Tucuruí, também no Pará. As mais avançadas tecnologias de transmissão de energia em extra-alta-tensão permitem que usinas deslocadas dos grandes centros consumidores como Itaipu e as usinas da bacia amazônica possam ter a energia gerada consumida a longa distância. Um fato também a permitir estes avanços da matriz energética brasileira é a possibilidade da operação do sistema de transmissão de forma integrada, tendo por cérebro um centro nacional de operação do sistema.
Todas estas considerações, facilmente inteligíveis por leigos, nos permite afirmar que o Brasil está se preparando para o grande salto no futuro, no qual deverá figurar como uma nação plenamente desenvolvida. Falta tão somente clarividência para rompermos com nossos preconceitos, maturarmos politicamente e superarmos o obscurantismo medieval da nossa herança colonial.
Didymo Borges
(*) Texto bambém publicado na seção de Economia do Jornal do Brasil Wiki - JBWiki, (www.brasilwiki.com.br).
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USINA DE BELO MONTE
CÁSSIO BORGES
Cerca de 56% da matriz energética brasileira está apoiada no petróleo e seus derivados, fonte altamente poluente, extremamente cara, além de estar instalada num período de esgotamento de suas reservas. Na década de 70, o preço do barril de petróleo era de apenas US$2,00 e as perspectivas atuais, segundo advertência do ministro britânico para o Desenvolvimento Internacional, Alan Ducan, especialista em petróleo, no jornal "The Times", do último dia 5 de março, é que o barril de petróleo pode dobar e alcançar US$ 200, muito acima do recorde de US$ 147 de junho de 2008. Dois aspectos preocupam as autoridades mundiais: o receio do fechamento do Canal de Suez, devido a crise no Egito, e a revolta no mundo árabe com ações imprevisíveis de extremistas...
As hidrelétricas que aproveitam a força das águas dos rios para gerar energia, sempre foram consideradas, no Brasil, como uma das mais importantes fontes de energia para sustentar o seu crescimento econômico e social. É uma energia limpa e barata. Em nosso país, a demanda de energia cresce na base de 5% ao ano. Portanto, estamos caminhando para uma crise energética de incalculáveis e perigosas proporções.
A China, para manter seu elevado padrão de desenvolvimento, decidiu construir a polêmica Hidrelétrica de Três Gargantas, que obrigou a migração de mais de um milhão de pessoas. Serão 18.200 megawatts (MW). Com isso, a despeito do embate ambientalista, está com seu problema energético equacionado. Foi uma decisão histórica, depois de dezenas de anos de discussão que envolveu várias gerações.
Aqui no Brasil, desde o Governo de FHC, se cogita da construção na região Amazônica, da Usina de Belo Monte, pivô de um lamentável incidente quando um engenheiro da Eletrobrás foi covardemente golpeado por grupos indígenas da tribo Kaiapós. A discussão em torno desse empreendimento se arrasta há mais de vinte anos e os seus opositores, que não são somente índios, já invocaram até mesmo "o stress que esta e outras hidrelétricas previstas para a região Amazônica poderiam causar aos bagres do Rio Madeira" (ver revista VEJA, nº 21, de 28/05/2008, na matéria "Seja criativo Mink"). Para eles (pasmem!), isto é mais importante do que privar toda a população brasileira de ter energia em seus lares, deixar o país livre dos apagões e o mais grave, estagnar o seu desenvolvimento.
A Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Estado do Pará, terá 11.181 megawatts (MW) de capacidade instalada e toda a energia gerada será interligada ao Sistema Energético Brasileiro. Sua bacia hidráulica, que já foi de 18.000 km2, foi reduzida para apenas 516 km2, da qual 200 km2 já são inundadas pelas cheias normais do Rio Xingu. Portanto, a Usina de Belo Monte será, praticamente, a fio d`água, apenas garantida pelo regime fluvial, ou seja, não há necessidade da construção de reservatórios de acumulação d`água, devendo, entretanto, transferir 16.000 pessoas. Para se ter uma ideia, o espelho d`água (área máxima inundada) da Barragem do Castanhão, no Estado do Ceará, inundou uma superfície de 800 km2, submergiu uma cidade inteira, vilas e povoados e deslocou , no total, 12.000 pessoas, podendo gerar apenas 25 MW, embora, ressalte-se, que essa não seja a sua função principal na condição de reservatório de estiagem. Afinal, o que representa 200 km2 na imensidão da floresta amazônica de 6,5 milhões de km2?
O que preocupa a nós brasileiros e a toda o povo do planeta é o incontrolável desmatamento que se verifica naquela região que já atinge a cifra de 517.000 km2, equivalente a cerca de 1.000 vezes a área que será, efetivamente, inundada pela Hidrelétrica de Belo Monte. Só no ano de 2005 foram desmatadas 18.793 km2 da Floresta Amazônica, ou seja, o equivalente a 36 vezes, em um único ano, a área que será comprometida pela referida hidrelétrica. Portanto, neste aspecto ambiental não há muito o que se demonizar a construção da referida hidrelétrica. Pelo menos, a realidade dos números mostram isso.
Sob o aspecto social, no meu entendimento, deve prevalecer o interesse maior da maioria do povo brasileiro que deverá usufruir os benefícios que o empreendimento poderá gerar (11.181 MW) e que, certamente, irá refletir nos índices sócio-econômicos e no progresso do país. A Justiça Social entende assim, e assim também devem entender as populações a serem rnutadas, se deasse evidamente esclarecidas e compensadas.
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Cássio Borges é engenheiro civil com diploma de Hidrologia, do Curso de Obras Hidráulicas da Escola Nacional de Engenharia (1962), Pós-Graduação em Engenharia Civil (com especialização em barragens) pela Pontificia Universidade Católica-PUC (1965), ambas no Rio de Janeiro e ex-diretor da Diretoria de Estudos e Projetos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas-DNOCS.













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